
O
despertar do Descanso
Paulão
O bairro do Descanso desta vez não justificou seu nome. Levantou-se
de seu sono hibernal, de seu coma induzido e libertando-se de tubos,
fios, agulhas, embalagens de soro, urrou ferozmente, tal como Johnny
Weissmuller, o mais notório ator a encarnar Tarzan. Sim! Isso
ocorreu em Mococa, a cidade perdida. Um grupo de idealistas elaborou
o primeiro movimento cultural daquele bucólico bairro. Eu estive
lá, como testemunha ocular da história. A lente potente
e o olhar de águia do amigo Maciel, o Massa, completaram o registro.
Para a posteridade, diga-se.
O evento em questão realizou-se no dia 09 de Novembro e foi batizado
de "Acorda Descanso" - 1ª mostra cultural Lauro D'Angelo
– ocorreu no Campo do Cruzeiro e contou com apoio dos moradores
do bairro do Descanso e da Vila Naufel. A idéia partiu dos moradores
locais e teve como organizadores Maycon Alves, Getúlio Cardoso,
sua esposa Luzia e a filha Tata, os irmãos Matheus e Aristeu
Emiliano, entre outros.
Coube a Associação Amigos do Bairro Descanso, diretoria
composta pelos irmãos Aluísio, Dado, Alexandre e Tânia,
dar o apoio logístico para realização do evento.
Segundo o vice-presidente da associação, o Dado, a diretoria
assumiu há três meses e administra o local sem apoio oficial
de nenhum órgão público. A iniciativa da mostra,
além de divulgar artistas locais com exposição
de quadros, esculturas, declamação de poesias, exibições
de grupos de Hip-Hop, grafitagem e boa MPB, é chamar mesmo a
atenção do poder público mocoquense, que negligencia
espaços como esse, de grande potencial e que ficam praticamente
abandonados, somente lembrados nas sombrias épocas eleitorais.
De qualquer forma, a iniciativa foi válida, pois só assim
os talentos afloram, saem das catacumbas do medo e da insegurança,
desabrocham para um novo olhar. A arte não tem fronteiras, não
é bem inalienável, e o melhor: não escolhe berço,
conta bancária ou etnia.
Gostei do que vi. Parabéns aos organizadores. Que outros bairros
de nossa querida cidade sigam este exemplo. Com pouco podemos fazer
muito. Imagine então quando formos tudo.
Fotos:Luiz
Antônio Scarparo Maciel
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