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Fotos e texto: Luiz Antônio Scarparo Maciel
e-mail: Massa

Vânia Bastos e Márcia Tauil: Café com Leite também na música!

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Háaaaaa! Agora, sim! Finalmente assisti ao show da Márcia Tauil e Vânia Bastos! O belo e aconchegante auditório do SESC - Ribeirão Preto recebeu o projeto que ainda vai percorrer mais algumas cidades.

Mas que beleza, de espetáculo! Desde a passagem de som até o tradicional jantar de fim de noite, na Choperia Pingüim, tudo foi muito bom, agradável e cheio de um calor que apenas existe entre amigos de longa data. Bem que o "Cârz", "— a" fechado —" ou "Cûrz", contou que a Vânia era a simpatia em pessoa e que a Mana era uma figura, mas a gente nem sabia o quanto! — eita, não posso resistir a uma piadinha infame... não dá pra se escrever o apelido do marido da Márcia tal como ele é falado, mas de repente, me ocorreu que ele tem um pedaço do nome de um tecladão maravilhoso, o Kurzweil. É, Márcia, ocê num escapa da música nem mesmo no casamento! Casou-se com a música e com meio piano! Hahahahaha O "Kurz" é pau pra toda obra! Não mede esforços pra levar a Márcia e seus músicos pra tudo quanto é lado do Brasil, nos Festivais e shows.

Vânia Bastos, a minha queridíssima Vânia, cuja carreira acompanho há muito. Como músico, sempre gostei de vozes femininas. Tanto, que fiz barzinhos durante dez anos, sempre com uma cantora. Gosto de muitas brasileiras, muitas estrangeiras, principalmente as jazzistas. Posso elencar algumas:

Estrangeiras: A fantástica Rachelle Ferrell (ela tem um disco ao vivo que é um troço!), Carmen McRae, Etta James, Joni Mitchell, Chaka Khan. Entre outras, claro.

Brasileiras: as divíssimas diviníssimas Elis e Gal, depois, Olivia Byington, Lica Cecato (deliciosa, em Hoje eu quero sair só, de Lenine, Mu Chebad e Caxa Aragão, CD Constelário), Rosa Passos, Cida Moreira, Nana Caymmi. Bão. Chega, porque agora, é hora de eu tecer loas a esta mulher especial, pra mim, a melhor cantora brasileira. Explico. Seu vibrato é algo soberbo. Não gosto de comparar, mas mesmo a Gal, que tem um vibrato maravilhoso, além de uma tessitura vocal enorme, desde que comecei a prestar atenção ao trabalho da Vânia, pois bem, nem a Gal é tão afinada quanto ela. A voz sai com uma naturalidade, sem agredir nossos ouvidos ou à sua própria garganta. Mas falar que sua voz sai da garganta é apenas figura de linguagem. Sua voz sai, muito além do seu diafragma ou de qualquer outra paisagem física. Ela sai da sua alma! Ouvi-la cantar é uma experiência, pra mim, quase mística. E chega a minha vez de ouvi-la cantar ao vivo, a dois metros de seus pés. Como ela se agiganta no palco!

Pior que não foi dose única! Márcia Tauil, que assina o projeto —, faz dupla com a Vânia!

Márcia, outra que acompanho desde que começou a cantar. Aliás, quando integrei a Banda do Ivan Tauil, seu irmão, ela começava a cantar profissionalmente, no conjuntão de bailes. Acho que fizemos uns três ou quatro bailes com esta formação. Mineira, dinâmica, expedita, sempre soube o que quis, cantar, cantar e cantar. Já tem dois trabalhos editados e pretende mandar mais um pra breve. O projeto, que tem o nome de Cafezinho com Leite (ou algo parecido, sou desmemoriado, me perdoe), oferece músicas de compositores paulistas e mineiros, como Gudin, Costa Netto, Adoniran, Lô Borges, e outros do Clube da Esquina.

Vânia é paulista, de Ourinhos, mas fez toda a sua carreira em São Paulo. Muitos e muitos discos, participou da vaga heróica da música vanguardista paulistana, com Arrigo Barnabé e Itamar Assunção. Maiores detalhes no seu site, VÂNIA BASTOS . E veja que mundo pequeno! Quando lhe disse que tinha um tio, dentista, em Ourinhos, ela se lembrou dele e da sua filha, minha prima Maria Clara, Caia Migliaccio, com quem estudou! Bem. Se estudou com a Caia, posso inferir sua idade... mas isso num conto!

Em seu formato, o show tem duas peculiaridades essenciais: sua duração é perfeita — até para o bis — e a escolha do repertório, eclético, classudo, refinado. Canta Márcia, cantam Márcia e Vânia, canta Vânia. Os músicos que as acompanham, de primeira categoria, são a bela e impagável pianista, Mana Tessari, Eric à guitarra, e Bruno Passos ao baixo elétrico.

Meu problema é que eu gostei tanto do show e da linda noite de lua cheia — em que nossos lobos interiores saem pra uivar —, que vou acabar me repetindo, que ela é uma bela mulher, que ela é a minha grande cantora, que...

Por fim, não posso deixar de registrar: a Mana (Luciana Tessari) é impagável mesmo! Além de ser exímia pianista — mesmo com suas "bolas na trave", não tem como uma cantora ou músico não se sentir seguro, quando ela está no palco —, ela ainda é uma humorista das "mió". Pois bem. Já acomodados no belo bistrô do Pingüim, ela nos fez rir com histórias e seus trejeitos. Para terminar, imitou o Zacarias, dos Trapalhões, à perfeição, como você, caro visitante, verá pelas fotos.

Me despeço, com gostinho de quero mais. Ainda haverei de assistir a mais shows da Vânia. E se a Márcia estiver junto, aí, num tem pra ninguém. Divas divinas, também! Beijo às duas! Às três, Mana também merece, igualmente, nosso carinho e respeito! E, Eric e Bruno, não fiquem tristes, deixo aqui o meu mais afetuoso abraço, grandes músicos!

Amor... é difícil hospedar no coração, sentimentos assim.

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